
A inflação do Reino Unido superou as previsões para o índice cheio, o núcleo e a variação mensal na quarta-feira, mas a libra mal se mexeu. O GBP/USD permanece logo abaixo de 1,3400, sem fechar um dia acima desse nível desde 15 de setembro. Antes da divulgação, os operadores já haviam precificado quase integralmente uma alta de juros pelo Banco da Inglaterra (BoE) em 5 de novembro, de modo que o dado só poderia alterar a parcela dessa alta que ainda restava incorporar aos preços.

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI) subiu de 3,1% para 3,5% em setembro, ante previsão de 3,4%, e o núcleo avançou de 2,6% para 2,8%. Os preços aumentaram 0,4% no mês, ante projeção de 0,3%. Os transportes deram a maior contribuição de alta, com o diesel no nível mais caro desde julho de 2022 e o Brent perto de US$ 109,00 por barril em meio à guerra entre os EUA e o Irã. Os preços na saída das fábricas subiram 0,8% no mês, um décimo de ponto percentual acima da previsão, indicando que os custos que serão repassados aos preços do varejo nos próximos meses continuam aumentando.
Após a divulgação, os operadores passaram a atribuir cerca de 96% de probabilidade de o BoE elevar a taxa básica de juros do Reino Unido, atualmente em 3,75%, em 5 de novembro, ante cerca de 93% antes dos dados. A libra se valoriza com uma alta de juros quando os operadores a incorporam aos preços, e essa já estava 93% precificada. A mesma divulgação reduziu de 58% para cerca de 48% a probabilidade de uma segunda alta até dezembro. Assim, um relatório de inflação mais forte deixou o mercado esperando menos aumentos de juros no Reino Unido neste ano, não mais.
O presidente do BoE, Bailey, afirmou em 16 de outubro que ainda via poucos indícios de que o choque energético estivesse sendo repassado aos salários e aos preços dos demais bens e serviços, o que os economistas chamam de efeitos de segunda ordem. A inflação de serviços, o indicador que o BoE acompanha mais de perto para avaliar esse processo, subiu de 3,4% para 3,7% no relatório de quarta-feira, enquanto a inflação dos preços de recreação e cultura passou de 1,6% para 2,3%.
O repasse para os serviços é o que transforma uma alta de juros em várias, e a perspectiva de várias altas é a parte do cenário do BoE que ainda não está incorporada à cotação da libra. Os dados de inflação de outubro serão divulgados após a decisão de 5 de novembro, o que faz do relatório de quarta-feira o último a que o Comitê de Política Monetária (MPC) terá acesso antes da votação.
O Escritório Nacional de Estatísticas (ONS) também informou que a necessidade líquida de financiamento do setor público atingiu £ 24,52 bilhões em setembro, com os gastos, incluindo os juros da dívida, crescendo mais rapidamente que as receitas. Essa conta entra no primeiro Orçamento da ministra das Finanças, Healey, em 28 de outubro. O rendimento dos títulos públicos britânicos de 10 anos encerrou setembro pouco abaixo de 5,4%, após atingir a máxima em 19 anos no início do mês. Assim, um Orçamento que amplie o endividamento pode afetar a libra por meio do mercado de títulos antes da votação do BoE.
A confiança do consumidor medida pela GfK, que será divulgada às 23h01 GMT de quinta-feira, tem previsão de -15, ante -13. As vendas no varejo serão divulgadas em seguida, às 06h00 GMT de sexta-feira, com previsão de queda mensal de 0,1% após alta de 0,5%, e desaceleração do crescimento anual de 2,4% para 1%. Excluindo combustíveis, as vendas devem crescer 1,5% na comparação anual, mais do que o total. As projeções, portanto, indicam que os britânicos estão comprando menos combustível do que há um ano, com o diesel nos preços mais altos desde 2022.
Os índices preliminares de Gerentes de Compras (PMI) do Reino Unido, da S&P Global, que serão divulgados às 08h30 GMT de sexta-feira, têm previsão de 51,8 tanto para a indústria quanto para os serviços. As versões dos EUA, às 13h45 GMT, têm projeções de 55,6 e 57,9, respectivamente, enquanto o índice de confiança da Universidade de Michigan, às 14h00 GMT, deve ficar estável em 46,3. Um conjunto fraco de indicadores britânicos afetaria primeiro as probabilidades de dezembro, já que a alta de novembro já está precificada.
A ministra das Finanças, Healey, apresenta o Orçamento em 28 de outubro, no mesmo dia da decisão do Fed, com os mercados de previsão atribuindo cerca de 86% de probabilidade à manutenção dos juros em 3,75%-4,00%. A decisão do BoE vem em seguida, em 5 de novembro, com uma alta naquele mês já incorporada à cotação da libra e a decisão de dezembro ainda em aberto.
Resistência: 1,3400 limitou as máximas de terça e quarta-feira, e o GBP/USD não registra um fechamento diário acima desse nível desde 15 de setembro. A queda de 16 de setembro começou em 1,3500.
Suporte: A Média Móvel Exponencial (EMA) de 200 dias, pouco abaixo de 1,3400, está logo abaixo da cotação, e terça-feira foi a primeira vez que o par negociou acima dela desde meados de setembro. O próximo suporte é a mínima de quarta-feira, pouco acima de 1,3350, seguida de 1,3300, onde terminou a queda de segunda-feira.
Viés: Posição vendida enquanto o fechamento ficar abaixo de 1,3400, com alvos em 1,3350 e, depois, 1,3300. O Índice de Força Relativa Estocástico (Stoch RSI) diário entrou em território de sobrecompra, perto de 85, após a alta desde a mínima de 14 de outubro. Um fechamento diário acima de 1,3450 encerra a posição vendida.

A libra esterlina (GBP) é a moeda mais antiga do mundo (886 d.C.) e a moeda oficial do Reino Unido. É a quarta moeda mais negociada no mercado de câmbio (FX) mundial, respondendo por 12% de todas as transações, com média de US$ 630 bilhões por dia, segundo dados de 2022. Seus principais pares de negociação são GBP/USD, também conhecido como “Cable”, que representa 11% das operações cambiais; GBP/JPY, ou “Dragão”, como é conhecido pelos operadores (3%); e EUR/GBP (2%). A libra esterlina é emitida pelo Banco da Inglaterra (BoE).
O fator mais importante para o valor da libra esterlina é a política monetária definida pelo Banco da Inglaterra. O BoE baseia suas decisões na avaliação de ter ou não alcançado seu principal objetivo de “estabilidade de preços”, ou seja, uma taxa de inflação estável em torno de 2%. Seu principal instrumento para isso é o ajuste das taxas de juros. Quando a inflação está muito alta, o BoE tenta contê-la elevando os juros, o que encarece o acesso ao crédito para pessoas e empresas. Isso geralmente é positivo para a GBP, pois juros mais altos tornam o Reino Unido um destino mais atraente para os recursos de investidores globais. Quando a inflação cai demais, é sinal de que o crescimento econômico está desacelerando. Nesse cenário, o BoE considera reduzir os juros para baratear o crédito, de modo que as empresas tomem mais empréstimos para investir em projetos que gerem crescimento.
Os dados divulgados permitem avaliar a saúde da economia e podem afetar o valor da libra esterlina. Indicadores como o PIB, os PMIs da indústria e dos serviços e os dados de emprego podem influenciar a direção da GBP. Uma economia forte é positiva para a libra. Além de atrair mais investimentos estrangeiros, pode incentivar o BoE a elevar os juros, o que fortalece diretamente a GBP. Por outro lado, se os dados econômicos forem fracos, a libra esterlina tende a cair.
Outro dado importante para a libra esterlina é a balança comercial. Esse indicador mede a diferença entre o que um país recebe com suas exportações e o que gasta com importações em determinado período. Se um país exporta produtos muito procurados, sua moeda se beneficia da demanda adicional gerada por compradores estrangeiros que buscam adquirir esses bens. Assim, um saldo positivo na balança comercial fortalece a moeda, enquanto um saldo negativo tem o efeito oposto.