Ouro enfrenta dificuldades perto de US$ 4.150 diante do risco de altas de juros globais

  • Ouro cai 0,43% apesar da queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA.
  • Probabilidade de alta dos juros pelo Fed é de 14% para outubro e aumenta para dezembro.
  • Sinais de aperto monetário do BoE e do BoJ pesam sobre as perspectivas de recuperação do XAU.

O ouro (XAU/USD) recua nesta terça-feira, mesmo com a forte queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e o enfraquecimento do dólar americano. A agenda econômica pouco movimentada nos EUA é amplamente ignorada pelos investidores antes da reunião do Federal Reserve (Fed) na próxima semana. No momento da redação, o XAU/USD é negociado a US$ 4.122, com queda superior a 0,43%.

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XAU/USD recua apesar do enfraquecimento do dólar e da queda dos rendimentos, enquanto bancos centrais sinalizam mais aperto monetário

De modo geral, o ouro tende a prolongar sua consolidação após as declarações de dirigentes do Fed na semana passada de que não têm pressa para elevar os juros em outubro, sinalização que foi levada em conta pelos investidores. Assim, os mercados monetários precificam uma probabilidade de 14% de alta dos juros pelo Fed em outubro, mas, para dezembro, as chances se aproximam de 90%, segundo o Prime Terminal.

Probabilidade para a taxa de juros do Fed - Fonte: Prime Terminal

Nesta semana, a agenda econômica dos EUA está bastante esvaziada. Os dirigentes do Fed iniciaram seu período de silêncio, que terminará com a coletiva de imprensa do presidente do Fed, Kevin Warsh, em 28 de outubro.

Enquanto isso, os investidores se orientam pelos dados do mercado imobiliário dos EUA, que mostraram o efeito dos rendimentos mais elevados dos títulos americanos: as altas taxas de financiamento imobiliário são a principal razão para a queda de 7,3% nas vendas pendentes de imóveis nos EUA em setembro. No restante da semana, os investidores acompanharão os pedidos iniciais de seguro-desemprego referentes à semana encerrada na quinta-feira, com previsão de aumento de 199 mil para 200 mil. Além disso, as leituras preliminares dos índices de gerentes de compras (PMIs) da S&P Global atualizarão o panorama do sentimento das empresas nos EUA, e será divulgada a leitura final de outubro do Índice de Sentimento do Consumidor da Universidade de Michigan.

Principais bancos centrais devem elevar os juros

Enquanto isso, dirigentes dos principais bancos centrais sinalizam mais aperto da política monetária, um fator desfavorável ao ouro, que costuma ter bom desempenho em ambientes de juros baixos.

O presidente do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda, reconheceu que o núcleo da inflação está “bastante próximo” da meta de 2%, mas sinalizou novas altas dos juros. Megan Greene, do Banco da Inglaterra (BoE), afirmou que os riscos de efeitos de segunda ordem da inflação são maiores do que se pensava, acrescentando que a atual orientação da política monetária “não é suficientemente restritiva”.

Análise técnica do XAU/USD: ouro pressionado abaixo de US$ 4.200, com atenção em US$ 4.100

O ouro é negociado lateralmente entre US$ 4.100 e US$ 4.200, ampliando suas perdas pelo terceiro dia consecutivo, embora tenha mostrado sinais de formação de um fundo próximo ao limite inferior dessa faixa. Ainda assim, a incerteza continua pesando sobre os preços do metal, diante das especulações de que o Fed poderá elevar os juros em dezembro.

O impulso favorece novas quedas, já que o Índice de Força Relativa (RSI) permanece baixista, embora tenha se estabilizado um pouco.

Para dar continuidade à queda, os vendedores precisam romper o nível de US$ 4.100. Caso esse patamar seja rompido, o próximo alvo será a mínima de 14 de outubro, em US$ 4.073, seguida pela mínima do ciclo de 29 de julho, em US$ 3.996. Se a fraqueza persistir, as próximas áreas de interesse serão a mínima de 17 de julho, em US$ 3.959, e a mínima acumulada no ano, em US$ 3.941.

Para uma reversão de alta, a primeira resistência do XAU/USD está em US$ 4.200, seguida pela média móvel simples (SMA) de 100 dias, em US$ 4.235. Acima dela está a SMA de 50 dias, em US$ 4.321, seguida pela marca de US$ 4.500.

Gráfico diário do ouro

Perguntas frequentes sobre o ouro

O ouro desempenhou um papel fundamental na história da humanidade, sendo amplamente utilizado como reserva de valor e meio de troca. Atualmente, além de seu brilho e de seu uso na joalheria, o metal precioso é amplamente visto como um ativo de refúgio, ou seja, é considerado um bom investimento em períodos turbulentos. O ouro também é amplamente considerado uma proteção contra a inflação e a desvalorização das moedas, pois não depende de nenhum emissor ou governo específico.

Os bancos centrais são os maiores detentores de ouro. Com o objetivo de sustentar suas moedas em períodos turbulentos, os bancos centrais tendem a diversificar suas reservas e comprar ouro para melhorar a percepção de solidez da economia e da moeda. Reservas elevadas de ouro podem reforçar a confiança na solvência de um país. Os bancos centrais acrescentaram 1.136 toneladas de ouro, avaliadas em cerca de US$ 70 bilhões, às suas reservas em 2022, segundo dados do Conselho Mundial do Ouro. Esse foi o maior volume anual de compras desde o início da série histórica. Bancos centrais de economias emergentes, como China, Índia e Turquia, estão aumentando rapidamente suas reservas de ouro.

O ouro tem uma correlação inversa com o dólar americano e os títulos do Tesouro dos EUA, ambos importantes ativos de reserva e de refúgio. Quando o dólar se desvaloriza, o ouro tende a subir, permitindo que investidores e bancos centrais diversifiquem seus ativos em períodos turbulentos. O ouro também tem correlação inversa com os ativos de risco. Uma alta no mercado de ações tende a enfraquecer o preço do ouro, enquanto ondas de vendas nos mercados mais arriscados tendem a favorecer o metal precioso.

O preço pode variar em função de uma ampla gama de fatores. A instabilidade geopolítica ou os temores de uma recessão profunda podem fazer o preço do ouro subir rapidamente devido à sua condição de ativo de refúgio. Por ser um ativo que não paga juros, o ouro tende a se valorizar quando as taxas de juros caem, enquanto o custo mais elevado do dinheiro costuma pressionar o metal amarelo. Ainda assim, a maioria dos movimentos depende do comportamento do dólar americano (USD), já que o ativo é cotado em dólares (XAU/USD). Um dólar forte tende a conter o preço do ouro, enquanto um dólar mais fraco tende a impulsioná-lo.