
A rupia indiana (INR) abre em forte alta frente ao dólar americano (USD) nesta quarta-feira, após o feriado do dia anterior. O par USD/INR registra uma nova mínima de seis semanas, perto de 96,30, em meio à fraqueza persistente do dólar americano.

No momento da redação, o Índice do Dólar Americano (DXY), que acompanha o valor da moeda dos EUA frente a seis das principais moedas, opera praticamente estável, em torno de 101,77, mas permanece próximo da mínima de quase três semanas de 101,50 registrada no dia anterior.
O dólar americano tem sido pressionado pela fraqueza das ações ligadas à inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos (EUA) e pela fase de correção dos rendimentos dos títulos americanos, em meio à reprecificação das expectativas para o Federal Reserve (Fed). Os participantes do mercado financeiro preveem novas quedas do dólar americano diante desses fatores adversos.
Estrategistas do Scotiabank observam que “a fraqueza generalizada do USD parece prestes a se prolongar no curto prazo, à medida que os mercados reavaliam os riscos de aperto monetário pelo Fed no futuro próximo”, apontando as “fortes perdas líquidas do DXY” na semana passada como evidência de que “a alta de setembro/outubro do índice está prestes a sofrer uma correção ou reversão, potencialmente em direção à região de 100,80/101,30, pelo menos”. Eles acrescentam que “uma correção mais profunda nas ações de tecnologia poderia se tornar mais um fator de pressão sobre o USD, dada a predominância da expansão da infraestrutura de IA na narrativa de crescimento e inflação dos EUA”, sugerindo que uma nova pressão sobre o setor pode reforçar a atual tendência de queda do dólar.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, é quase certo que o Fed manterá as taxas de juros inalteradas na reunião de política monetária no fim deste mês. Há um mês, a ferramenta também indicava uma probabilidade significativa de o banco central elevar os juros na reunião de outubro. Os operadores reavaliaram suas apostas em uma postura mais restritiva do Fed, já que vários dirigentes sinalizaram não haver urgência para uma nova alta dos juros.
Economistas do DBS Group Research destacam que o Banco da Reserva da Índia (RBI) adotou uma “estratégia de defesa em várias frentes para sustentar a rupia neste ano”, combinando “intervenções diretas nos mercados à vista e a termo, ações regulatórias, medidas de liquidez, medidas administrativas e iniciativas para conter a demanda por dólares associada às importações”. Segundo o DBS, as autoridades “provavelmente ainda não encerraram seus esforços e continuam prontas para adotar novas medidas, conforme necessário”. O presidente do RBI, Malhotra, ressaltou a determinação do banco central em uma entrevista recente, enfatizando que “o RBI está determinado a fazer o que for necessário para garantir movimentos ordenados no mercado de câmbio”.
No entanto, o DBS duvida de uma valorização sustentada da INR devido a vários fatores adversos. O DBS afirma que, mesmo após os recentes esforços de política econômica para apoiar a rupia, “vemos espaço limitado para uma valorização sustentada da INR por razões de competitividade industrial e comercial”. Os economistas acrescentam que “uma perspectiva desafiadora para os fluxos de investimentos em carteira deixa a porta aberta para uma depreciação gradual adicional da rupia, dependendo dos desdobramentos globais”, observando a “alta sensibilidade da moeda às oscilações dos preços do petróleo e ao apetite por risco”.

No gráfico diário, o USD/INR é negociado a 94,5625, mantendo um viés de baixa no curto prazo, com a cotação à vista bem abaixo da média móvel exponencial (EMA) de 20 períodos, em 95,5079. O par recuou acentuadamente em relação às máximas recentes e, embora o Índice de Força Relativa (RSI), em 28,47, esteja em território de sobrevenda, essa leitura do indicador de momento apenas sugere um movimento de baixa esticado, e não uma recuperação clara. Assim, a evolução do preço continua limitada pela resistência da tendência situada acima da cotação.
Na direção de alta, a resistência imediata está na EMA de 20 períodos, perto de 95,51, onde qualquer recuperação provavelmente enfrentaria uma retomada da pressão vendedora. Na direção de baixa, embora não tenha se formado um suporte claro baseado no preço próximo ao nível atual, o RSI em sobrevenda, em torno de 28, sugere que os vendedores podem começar a perder a convicção em novas quedas. Uma estabilização acima de 94,56 seria necessária para reduzir o risco de prolongamento da queda.
(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)
A rupia indiana (INR) é uma das moedas mais sensíveis a fatores externos. O preço do petróleo bruto (o país depende fortemente de petróleo importado), o valor do dólar americano – a maior parte do comércio é realizada em USD – e o nível de investimento estrangeiro são fatores que influenciam a moeda. A intervenção direta do Banco da Reserva da Índia (RBI) nos mercados de câmbio para manter a taxa de câmbio estável, assim como o nível das taxas de juros definido pelo RBI, também exerce grande influência sobre a rupia.
O Banco da Reserva da Índia (RBI) intervém ativamente nos mercados de câmbio para manter a taxa de câmbio estável e facilitar o comércio. Além disso, o RBI busca manter a inflação na meta de 4% por meio de ajustes nas taxas de juros. Juros mais altos geralmente fortalecem a rupia. Isso se deve ao papel das operações de “carry trade”, nas quais os investidores tomam empréstimos em países com taxas de juros mais baixas para aplicar seus recursos em países que oferecem taxas relativamente mais altas e lucrar com a diferença.
Os fatores macroeconômicos que influenciam o valor da rupia incluem a inflação, as taxas de juros, a taxa de crescimento econômico (PIB), a balança comercial e a entrada de investimentos estrangeiros. Uma taxa de crescimento mais alta pode atrair mais investimentos externos, aumentando a demanda pela rupia. Um saldo comercial menos negativo acaba levando a uma rupia mais forte. Taxas de juros mais altas, especialmente as taxas reais (juros descontados da inflação), também são positivas para a rupia. Um ambiente de maior apetite por risco pode gerar mais entradas de investimento estrangeiro direto e indireto (FDI e FII, nas siglas em inglês), o que também beneficia a rupia.
Uma inflação mais alta, sobretudo quando supera a de países comparáveis à Índia, geralmente é negativa para a moeda, pois reflete uma desvalorização decorrente do excesso de oferta monetária. A inflação também eleva o custo das exportações, levando à venda de mais rupias para pagar pelas importações, o que prejudica a moeda. Ao mesmo tempo, uma inflação mais alta geralmente leva o Banco da Reserva da Índia (RBI) a elevar as taxas de juros, o que pode ser positivo para a rupia devido ao aumento da demanda de investidores internacionais. Uma inflação mais baixa produz o efeito oposto.