
O NZD/USD interrompe uma sequência de cinco dias de alta e é negociado em torno de 0,5700 durante a sessão europeia desta quinta-feira. O par recua diante da pressão sobre o dólar neozelandês (NZD) após dados de inflação abaixo do esperado. Os números divulgados pelo Statistics New Zealand mostram que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) caiu para 3,7% em termos anuais no terceiro trimestre, ante 4,1% no período anterior e ligeiramente abaixo da previsão do mercado de 3,8%. Na comparação trimestral, o IPC subiu 0,7%, uma desaceleração expressiva em relação à alta de 1,5% registrada no segundo trimestre e abaixo da expectativa de 0,8%.

Apesar da desaceleração, a taxa de inflação da Nova Zelândia permanece acima do limite superior do intervalo da meta do Banco da Reserva da Nova Zelândia (RBNZ). Essa persistência da inflação reforça as expectativas de aperto monetário adicional, com os mercados precificando atualmente uma probabilidade de quase 98% de aumento dos juros na próxima reunião e de 100% de altas que somem 50 pontos-base até o fim de fevereiro.
Estrategistas do Brown Brothers Harriman destacam que “a inflação acima da meta justifica novas altas dos juros pelo RBNZ e oferece sustentação ao NZD”, observando que a precificação do mercado continua firmemente alinhada à perspectiva de aperto adicional. Eles ressaltam que “a curva de swaps precifica uma probabilidade de 80% de o RBNZ elevar os juros em 25 pontos-base, para 3,00%, em 28 de outubro”, reforçando as expectativas de que o banco central continuará normalizando a política monetária em resposta às persistentes pressões sobre os preços.
Enquanto isso, a pressão de baixa sobre o par NZD/USD pode ser limitada, já que o dólar americano (USD) continua sob pressão diante dos sinais de fraqueza econômica nos Estados Unidos. Relatórios recentes mostraram um recuo no início de construções residenciais em setembro, enquanto as vendas pendentes de imóveis caíram para o menor nível da série histórica. Além disso, segundo a ferramenta CME FedWatch, os operadores atribuem uma probabilidade de 87% de o Federal Reserve manter os juros inalterados na próxima semana e de 86% de uma alta em dezembro. No entanto, a incerteza permanece elevada após o presidente do Fed, Kevin Warsh, evitar sinalizar explicitamente os próximos ajustes dos juros.
O dólar neozelandês (NZD), também conhecido como Kiwi, é uma moeda bastante conhecida e negociada pelos investidores. Seu valor é determinado, em grande parte, pela saúde da economia da Nova Zelândia e pela política do banco central do país. Ainda assim, algumas particularidades também podem movimentar o NZD. O desempenho da economia chinesa tende a influenciar o Kiwi, pois a China é o maior parceiro comercial da Nova Zelândia. Notícias negativas sobre a economia chinesa provavelmente significam menos exportações neozelandesas para o país, prejudicando a economia e, consequentemente, sua moeda. Outro fator que movimenta o NZD são os preços dos laticínios, já que esses produtos constituem a principal exportação da Nova Zelândia. Preços elevados dos laticínios aumentam as receitas de exportação, contribuindo positivamente para a economia e, consequentemente, para o NZD.
O Banco da Reserva da Nova Zelândia (RBNZ) busca alcançar e manter uma taxa de inflação entre 1% e 3% no médio prazo, com foco em mantê-la próxima ao ponto médio de 2%. Para isso, o banco define um nível adequado para as taxas de juros. Quando a inflação está muito alta, o RBNZ aumenta os juros para esfriar a economia, mas a medida também eleva os rendimentos dos títulos, tornando os investimentos no país mais atraentes e, assim, impulsionando o NZD. Por outro lado, juros mais baixos tendem a enfraquecer o NZD. O chamado diferencial de juros, ou seja, a comparação entre as taxas vigentes ou esperadas na Nova Zelândia e aquelas definidas pelo Federal Reserve dos EUA, também pode desempenhar um papel fundamental nos movimentos do par NZD/USD.
As divulgações de dados macroeconômicos da Nova Zelândia são fundamentais para avaliar a situação da economia e podem afetar a cotação do dólar neozelandês (NZD). Uma economia forte, caracterizada por crescimento econômico elevado, baixo desemprego e alta confiança, é favorável ao NZD. Um crescimento econômico elevado atrai investimentos estrangeiros e pode incentivar o Banco da Reserva da Nova Zelândia a aumentar os juros, caso essa força econômica venha acompanhada de inflação elevada. Por outro lado, se os dados econômicos forem fracos, o NZD provavelmente se desvalorizará.
O dólar neozelandês (NZD) tende a se fortalecer em períodos de apetite por risco, ou quando os investidores consideram baixos os riscos gerais do mercado e estão otimistas em relação ao crescimento. Isso tende a favorecer as perspectivas para as commodities e para as chamadas “moedas ligadas a commodities”, como o Kiwi. Por outro lado, o NZD tende a se enfraquecer em momentos de turbulência nos mercados ou de incerteza econômica, pois os investidores costumam vender ativos de maior risco e buscar refúgios mais estáveis.